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Diário de bordo 17 de fevereiro de 2021 - Encontro às Quartas

Projeto Cultural de Escola EBIRP - Plano Nacional das Artes enquadramento no
Projeto "Fenais a Fenais:Cultura Matriz do Desenvolvimento Local"

Diário de bordo 17 de fevereiro de 2021  

 

Encontro às Quartas

 

     Sete dias depois da saída do porto" 2°Encontro às Quartas 6°D e 8°A", a Nau "TEAMS" aproximava-se do "Cabo das Emoções".

Os Companheiros, o Comandante e os Marujos mostravam-se firmes em seguir rumo à Grande Aventura.

A Tristeza e a Saudade eram notórias nos seus rostos. A Natureza solidarizou-se e chorou com Eles.

O Marujo Samuel exclamou: o Mar é um mistério, pois nunca sabemos o que vai acontecer.

Emocionalmente fragilizadas as Marujas Laura, Matilde Silva e Stella, relembram pessoas que Amam Muito, o Mar trouxe-lhe boas e más Memórias.

A Maruja Mariana expressou as suas qualidades artísticas declamando num tom doce angelical - "Céu azul é mar infinito que percorre as veias, berço de ideias. Os sons incríveis e suas maravilhas. Mistérios imprevisíveis. Mar é abraço que nos rodeia. Som que nos consola a alma. Saudade que desencadeia. Brilho que reflete a Lua ao anoitecer. Espelho que reflete o Sol ao amanhecer."

O murmúrio do mar trouxe-nos de volta a determinação e alegria.

A Maruja Regina estava radiante, sentir o mar perto dela fazia-a a Pessoa mais Feliz do Mundo. A Maruja Matilde Frias sublinhou que o Mar é um dos lugares mais lindos do Mundo. Para intensificar o que as suas Amigas tinham dito, a Maruja Tatiana Oliveira recarregou as suas energias e voltou a enaltecer que o Mar é uma das coisas mais lindas que já viu na Vida.

Notando a intensificação das emoções a Maruja Inês começou a filosofar dizendo que o mar simboliza a dinâmica da Vida, os nascimentos, as transformações, a morte, e os renascimentos.

Passada a tempestade emocional o Marujo Lucas estava a gostar da nossa viagem, conseguia ver algumas espécies marítimas, ouvia as ondas a bater calmamente no casco, isso trazia-lhe calma e tranquilidade.

A Maruja Matilde Torres relembrou-nos a situação pandémica em Terra enquanto atravessámos o "Cabo das Emoções" na Nau "TEAMS" e o quanto nos pôs a refletir sobre o momento. A Maruja Diana acrescentou : e refresco-nos as ideias.

O Marujo Gonçalo Andrade que da sua caixa sentia-se privilegiado, pois conseguia ter o mar mais perto, isso relaxava-o, mas quando estávamos a passar pela tempestade foi muito assustador.

A Companheira Cláudia trouxe-nos "Amor Fati", amor ao destino. É um atlas de histórias e emoções que expressam o seu sentimento pela humanidade e que tende a engrandecer diante a nossa vulnerabilidade, diante da morte. Criar imagens é a sua tentativa dos eventos, incorporando algo maior e mais belo. A vida é assim, ininteligível. O seu esforço, com os seus filmes está a torná-la inteligível. "Aceitem as coisas que o destino nos trás, e amem as pessoas que o destino nos aproxima, mas façam-no de todo o vosso coração."

Num eco harmonioso a Maruja Melinda contou-nos a história do avô António Lapa, de 76 anos, residente nos Açores. Há meia dúzia de anos tinha ido com uns amigos à pesca, numa chata pequena. Comida e bebida não faltaram. Quando se meteram no barco, quase que meteu água, pois eram cinco. Começaram a navegar, e breve começou a escurecer. Só tinham um candeeiro a petróleo. O avô António começou a ver que a pessoa que estava no comando do barco não percebia nada de navegação. Começou por dizer-lhe: Ó Fernando leva o barco para bombordo, que é para o lado esquerdo. Estibordo é para o lado direito. " Eles não sabiam nada e ainda gozaram o avô António que era o único que sabia. Pararam o barco e aperceberam-se que faltavam dois dedos para a chata meter água. O avô António com receio disse ao amigo Fernando que só sabia nadar metade. Além da chata estar quase a meter água, começou a balançar. O amigo Luís que também não sabia nadar levava o candeeiro a petróleo, deixou-o cair. A roupa dele começou a pegar fogo. Ele gritava: "_Ai que eu vou morrer aqui." Conseguiram apagar o fogo. Como ficaram sem luz, quando se aperceberam estavam numa gruta nas Capelas. Não pescaram nada, começaram a comer e a beber. Cada um ficou com uma "Grande Cadela". Com medo o avô António e o Luís pediram para ir para terra. Atracaram, levaram as coisas para o café do Luís. Já em terra foram de carro até à esquadra das Capelas, onde continuaram a comer e a beber. Entretanto o avô António virou-se para o Luís e disse-lhe que era melhor irem embora, pois a "Carroça" já era muito grande. Regressaram a casa sem peixe, sãos e salvos da Grande Noite de Não Pescaria.

A Companheira Maria Emanuel do Reino PNA enviou-nos uma lindíssima mensagem através de uma garrafa:"_ Estejam atentos e observem, irão encontrar dois seres que vivem em sítios diferentes, estão unidos por esta garrafa, que leva um bocadinho de cada um para que se conheçam melhor. No final irão ter um com o outro e vão perceber que serão um Só, quando se entregarem ao Mar, irão fundir-se nele. "

A Companheira Margarida de Fenais a Fenais, trouxe-nos a vontade de voltar a ser a Substância essa não coisa - é a nossa Essência.

Depois de termos falado em essência, eis que surge por palavras a evocação da essência de ser Romeiro.

A Maruja Tatiana Sousa recordou num acróstico o Romeiro.

Romaria uma tradição açoriana.

Oram durante a caminhada por todos no mundo.

Manifestam a sua fé quando regressaram à ilha junto dos seus lugares sacros.

Esperam ansiosamente pelas famílias as quais irão os visitar em alguns locais.

Invocam a Virgem Santíssima por todo o percurso.

Romeiro ostenta o bordão, xaile, lenço e saco ao ombro, leva ainda dois terços, um ao pescoço e outro na mão para oração durante o decurso de toda a Romaria.

Oram principalmente pelos pecadores.

A Companheira Telma partilha o nosso diário com quem ficou em Terra, para que acompanhem todo o nosso percurso.

O Comandante André está sempre ao nosso lado -mostrando a essência de um bom líder.

Eu o Grilo Falante agradeço todo o afeto desta semana. Continuo no leme da Nau "TEAMS" onde rumamos à Grande Aventura.

 

JoomSpirit